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Entrevistas


A vida por uma plástica, um peeling ou um silicone? Nada disso! Elizabeth Savala está longe de ser a futilidade em pessoa como Rebeca. Ela não se rende aos cremes, só faz ginástica por uma questão de saúde, prega a necessidade de se intelectualizar, enfim, não faz parte do time feminino que só quer saber de se turbinar e se embelezar. Veja o que mais disse a atriz na entrevista abaixo.

Ser vaidoso é prejudicial?
O problema é o interior. Porque se o interior não corresponde a esse exterior maravilhoso, fica difícil. A gente tem que aprender a fazer também “levantamento de livro”. Temos que buscar um pouquinho de ser, não é só ter: ter beleza, ter o nariz em ordem, ter o peito em cima, ter o bumbum em cima, ter a barriguinha de tanquinho... Isso tudo é legal, mas...

Como é trabalhar com Walcyr Carrasco?
As novelas do Walcyr, independentemente do horário, serão sempre muito boas. Venho do meu quinto trabalho com ele: fiz “A Padroeira” (2001), “O Cravo e a Rosa” (2001), “Chocolate com Pimenta” (2003), “Sítio do Pica-Pau Amarelo” (2002), “Alma Gêmea” (2005) e, agora, Sete Pecados. É o nosso sexto trabalho juntos!

Você já se rendeu à ditadura da busca pelo corpo perfeito?
Odeio fazer ginástica! Não sei quem foi que inventou isso. Mas faço por uma questão de saúde, não dá pra ficar sem fazer nada. Um dia desses o meu personal training me ligou às 5h da manhã: “Vamos malhar!”. Eu não acreditava como uma pessoa podia acordar tão cedo pra fazer ginástica. Só que cheguei lá e a academia estava lotada! Tem que ter muita disciplina, gostar muito. Mas vale a pena, ao menos, dar uma volta na Lagoa, no Ibirapuera, seja o lugar que for.

Rebeca criou Beatriz em meio a muita futilidade. Você acha que filhos mimados como a personagem são reflexo de seus pais?
Os filhos não são resultado do que a gente fala pra eles, mas dos nossos exemplos. Então, não adianta falar: “Não trate mal o porteiro!”, se você trata. São essas coisas pequenas que fazem a diferença. Por isso, quando vamos ter um filho, temos que pensar muito, muito, muito, muito.

Como é trabalhar com o seu núcleo?
Estou na maior felicidade com a Dona Hilda (Rebello), que é mãe do Jorginho (Jorge Fernando) e minha mãe na trama. Amo-a de paixão. A gente se conhece há muitos anos. Quando o Jorginho estreou em televisão, que foi na novela “Pai Herói” (1979), eu era a protagonista da história e a dona Hilda o acompanhava. Desde essa época tenho a maior paixão por ela. Minha mãe mora em São Paulo, então, eu meio que a adotei!

Sem medo do tempo

 

 

Elizabeth Savala critica culto à vaidade de sua personagem em “Sete Pecados” e diz que não teme a velhice

Elizabeth Savala vive a personagem mais vaidosa de sua carreira em “Sete Pecados”, novela das 19 horas da Globo. Enquanto Rebeca, a mãe da patricinha Beatriz, de Priscila Fantin, faz de tudo para parecer cada vez mais jovem por meio de uma infinidade de tratamentos de beleza, a atriz que a encarna é famosa por ser da turma dos que preferem manter-se ao natural. Mas confessa que já foi ao consultório de um cirurgião plástico. Só para fazer laboratório para a novela mesmo. “Ele me contou cada detalhe terrível sobre esses procedimentos. Estou fora”, conta, aos risos. “Se ficar toda dura, sem expressão, como vou atuar?”, questiona. Estou feliz porque ainda não fiz plástica. Acho que a gente tem de envelhecer com dignidade e bom senso.
Com o intuito de tornar mais reais todos os tratamentos que Rebeca realiza ao longo da trama, que vão desde implante de silicone nos seios até experiências mais exóticas, como aulas com uma personal trainer para ginástica facial, Elizabeth tem recorrido a apetrechos que nunca sonhou que usaria. “Quando a personagem colocou silicone, por exemplo, usamos enchimentos. Sempre tive muito busto. Agora estou na moda”, exclama.
Já em sua primeira novela, “Gabriela”, em 1975, Elizabeth Savala ganhou destaque como a jovem contestadora Malvina. Foi agraciada com o Prêmio APCA de atriz-revelação e passou a ganhar papéis cada vez maiores. Como se não bastasse, conquistou fama em terras lusas. Três anos após estrear por aqui, a adaptação televisiva do romance de Jorge Amado foi a primeira novela brasileira a ser exibida em Portugal, alcançando ótima aceitação do público. Tanto que quando Elizabeth e Fulvio Stefanini, que vivia o Tonico, foram divulgar a trama naquele país, foram surpreendidos pela recepção. “O presidente português na época, Mário Soares, veio nos receber no aeroporto. Era tapete vermelho, a gente saindo de Rolls-Royce... Parecia coisa de filme”, recorda.

 

Prazer em fazer rir

 

Em sua volta às novelas depois de cinco anos longe da TV, a atriz Elizabeth Savala – que interpreta a vaidosa Rebeca em “Sete Pecados”, novela das 19 horas da Globo – descobriu uma nova faceta da profissão de atriz: fazer rir. Desde a dona-de-casa em busca de vingança Auxiliadora, de “Quatro Por Quatro”, passando pela ambiciosa Jezebel de “Chocolate com Pimenta”, até a Rebeca, ela revelou-se um talento também na comédia. “É maravilhoso interpretar papéis tragicômicos, exagerados. Adoro poder criar ‘micagens’”, diverte-se.

Papel
"Quero deixar bem claro que fazer a mocinha é um porre! Para conseguir a primeira vilã, a Bruna, de “Pão Pão, Beijo Beijo”, foi uma briga"

“Sete Pecados” é sua quarta novela seguida de Walcyr Carrasco. O que a motiva a repetir a parceria mais uma vez?
Elizabeth Savala Descobri o trabalho do Walcyr na Manchete, no início dos anos 1990. Ainda nem o conhecia pessoalmente. Quem trouxe o Walcyr para a Globo foi o Walter Avancini, com quem eu comecei, em “Gabriela”. Depois desta novela, fiz vários trabalhos com o Avancini. Foi a pessoa que me ensinou tudo que alguém poderia aprender com aquela idade, naquela época. Ele me fez. Eu costumo dizer que o Avancini é meu pai na televisão. A vida vai te dando presentes. O Walcyr foi o presente que o Avancini me deixou. A qualidade das novelas do Walcyr é inegável, é um texto cheio de sensibilidade. Antes de aceitar fazer a Rebeca, nós conversamos muito.

Sobre o quê?
ElizabethQuando recebi a proposta da personagem, senti uma grande semelhança com a Jezebel, de “Chocolate com Pimenta”, que acabou de passar no “Vale a Pena Ver de Novo”. As duas são mulheres extremamente vaidosas e num tom acima do real. Para marcar essa diferença, contei com a ajuda do Jorge Fernando. A todo momento, ele me dizia: “Menos, Savala!”, até eu encontrar o tom certo da Rebeca.

A Rebeca é viciada em tratamentos e produtos estéticos. Como você encara a busca incessante pela beleza?
Elizabeth Ela é um espelho da realidade, é um alerta para o comportamento humano atual. A pessoa que está um pouquinho mais gorda se sente o último dos moicanos. Já ultrapassamos a barreira da vaidade, estamos virando narcisos. Virou uma coisa tão absurda, ninguém mais quer envelhecer. Estou feliz porque ainda não fiz plástica nenhuma, não quero ficar com cara de peixe no aquário. Vão sobrar as avós e as bisavós para eu interpretar, não vou ficar sem emprego (risos). Acho que a gente tem de envelhecer com dignidade e bom senso. Também não é para descuidar, mas é necessário moderação. Eu, por exemplo, contratei um personal trainer antes da novela.

Para se preparar para a personagem?
ElizabethNão, pela saúde mesmo. Já tenho 52 anos. Meus filhos ficam brigando comigo, dizem que tenho de me cuidar mais. Até tentei fazer dieta antes de começar “Sete Pecados”. Mas, por causa do monólogo “Friziléia, uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos”, não foi possível. Quando estou em temporada, a peça termina tarde, fico sem horários certos para comer. Aí já viu...

Por muito tempo você priorizou a TV. Depois, isso mudou um pouco, certo?
ElizabethLogo que estreei na TV, em “Gabriela”, tive de dar uma parada no teatro, que fazia desde a época de escola. Logo depois, praticamente emendei em “O Grito”, “Estúpido Cupido”, e assim por diante. Nunca dava para fazer teatro. Mas aos 30 anos, resolvi me dedicar aos palcos. Naquela época, já era considerada velha para ser protagonista. Por outro lado, estava morrendo de medo de voltar ao teatro porque ele é implacável. Se você abandona o palco, o palco te abandona. No fim das contas, acho que foi legal fazer essa opção. Fiquei um bom tempo sem fazer novelas porque queria mesmo me aprimorar como atriz.

A atuação era vista de forma bem diferente quando você estreou na televisão, em 1975...
ElizabethQuando entrei para a Escola de Arte Dramática, na USP, meu pai disse que ia me deserdar. Na época, atriz era mulher da vida. Só em 1978 foi regulamentada a profissão. Não é como hoje, que virou moda entre as meninas, ganhou todo esse glamour. Essa é uma profissão muito, muito difícil. É como um tocar piano, tem de ter um dom, não basta ter beleza.

Durante muito tempo, você só fez mocinhas. Foram escolhas suas?
ElizabethNão, acho que tinha cara de boazinha. A mocinha é aquela idiota que todo mundo sabe o que está acontecendo, menos ela. Tem de chorar muito, e chorar é uma coisa desgastante. Não sei chorar com colírio, choro para valer. Já inundei esses estúdios da Globo, de tantas lágrimas das minhas personagens. Quando se chora muito, chega-se em casa com dor de cabeça, acabada. E ainda tem texto para decorar para o dia seguinte. Quero deixar bem claro que fazer a mocinha é um porre! Para conseguir a primeira vilã, a Bruna, de “Pão Pão, Beijo Beijo”, foi uma briga. Achavam que o público não ia me aceitar fazendo papel de má. Mas foi ótimo. Aliás, essa é uma das vantagens de não ter mais idade para ser mocinha, posso fazer personagens mais divertidas.

Hoje você está em sua 17ª novela. Qual foi seu grande aprendizado até agora?
Elizabeth Sinceramente, o maior aprendizado – talvez eu não consiga colocá-lo em prática todos os dias – é o da humildade. A cada dia que passa, percebo que sei menos. Para o ator, é imprescindível ser humilde. A ponto de esquecer quem ele é para poder viver outra pessoa. Em segundo lugar, não pode ter preconceito. Cada personagem tem algo a ensinar. Só quando o ator percebe isso ele pode fazer melhor seu trabalho. Apesar das loucuras da Rebeca, eu aprendo muito com ela.

 

FONTE: http://www.an.com.br/anexomais/2007/set/16/Default.jsp

" A Notícia " -Domingo, 16 de Setembro de 2007 Joivile - Santa Catarina - Brasil